Recebi esse texto por e-mail, autor desconhecido, e achei interessante para refletirmos um pouco, mas o mais importante de tudo é não desistirmos dos nossos sonhos:
“Aos 17 anos, estudando para o vestibular, minha família, principalmente por parte do pai, tentou me convencer a não cursar Jornalismo. Queriam que eu fizesse Direito, porque tem mais emprego, tem mais concurso, paga mais. Minha tia, que escolheu essa área e graças a ela tem um padrão de vida que admiro, chegou a me contar que teria feito Turismo se não fosse o meu avô fazê-la desistir e mudar. Lembro do meu pai, na cozinha de casa durante o jantar, me dizendo: é melhor ser triste e rico do que feliz e pobre. Eu ouvia e achava tudo aquilo horrível. Respondia que Jornalismo era o meu sonho e eu já me imaginava trabalhando e rodando o mundo, então me inscrevi naquele ano e passei. Estou formada há três anos.
Se eu tivesse seguido o conselho do meu pai e da minha tia, estaria numa situação financeira bem melhor do que a que me encontro hoje. Ou talvez eu nem estivesse tão bem assim, conheço quem se formou nessa profissão e não se deu bem. Mas, com certeza estaria me perguntando como teria sido se eu tivesse escolhido Jornalismo. Eu não me arrependo de ter tomado a minha decisão. Mas quando estava no meio do meu curso, recebi um conselho de outro pai, o da minha amiga: na vida, a gente tem sempre que ter um plano B.
Qual é a diferença deste conselho pro outro? É que enquanto o primeiro me pedia para escolher, este me dizia que eu poderia seguir o que eu quisesse, mas que seria bom ter uma retaguarda. E hoje, após muitas situações ruins e algumas boas, vejo que esta foi uma das melhores coisas que já me disseram na vida.
Você não precisa abandonar o seu sonho para viver o de outra pessoa. Não precisa escolher o ‘mais seguro’ no lugar de ‘o que faz o seu coração pulsar’. Mas deve ter sempre em mente que precisa encher a sua barriga. O comediante Zé Bonitinho adorava atuar, mas também era dono de um escritório de advocacia. Ele dizia que muitas vezes foi a advocacia que o segurou quando os trabalhos artísticos rarearam. Esta semana escrevi uma matéria sobre um músico com décadas de careira: tem discos solos, discos com banda, discos em parceria, escreveu e dirigiu espetáculos… Mas também é professor da rede pública, e inclusive usa esta profissão para disseminar a arte, pois tem projetos de música nas escolas
Perto de mim, tenho duas amigas que na minha opinião tomaram a decisão certa. Uma delas abriu mão do sonho para criar os filhos: se tornou professora universitária de biomedicina. Depois de eles já crescidos e de ela ter alcançado o êxito na profissão que não era o seu ideal, ela decidiu começar de onde parou lá na adolescência e se matriculou num curso de iniciação teatral. Hoje, ela continua no seu emprego que lhe paga bem, mas a noite vai lá na escola de teatro ensaiar para se apresentar em espetáculos. Está muito feliz e está com uma renda mais confortável do que a de seus colegas que vivem somente de arte.
A outra ainda é jovem, conheci na faculdade de jornalismo. No segundo ano do curso ela passou em outro vestibular, para Direito. Hoje, é formada em Jornalismo, mas ainda não acabou a outra faculdade e esta se dedicando a ela. Você acha que ela vai conseguir emprego em qual das duas áreas primeiro? Me arrisco até a dizer que ela vai passar num concurso em Direito, vai ganhar bem e no tempo livre vai escrever livros, viajar e até ter o próprio site para seus textos.
São pessoas que fazem (ou faziam, no caso do Zé Bonitinho) o que amam, mas que também sobrevivem por outros meios.
É duro de admitir, mas para cada artista que aparece milionário dando entrevista, há trezentos tocando em bares por alguns trocados. Para cada empresário de sucesso lhe ensinando na internet como ser que nem ele, há milhares fechando as portas. Para cada publicitário fazendo propagandas lindíssimas, há outros cem ganhando mil reais. Para cada estilista renomado desfilando seus modelitos em passarelas de Paris, há muito jovens se desdobrando nas faculdades, e sabe–se-lá se vão ser reconhecidos. Dói pensar nisso, mas é estatisticamente mais provável você lutar para pagar as contas do que ter efetivamente sucesso na profissão que tanto deseja.
Por isso, se você tem dezessete anos e acha que só será feliz sendo designer, estude para isso, mas se puder, curse outra coisa ao mesmo tempo. Mande currículo, invista no seu empreendimento, aceite aquela bolsa, faça trabalho voluntário… mas também estude para aquele concurso público que pode lhe ajudar muito. Não aguenta mais esse seu trabalho do escritório, o que você queria mesmo era vender bolos? Estude como se monta um negócio, trabalhe para isso, mas só largue tudo quando puder caminhar com as próprias pernas. Seja um auxiliar administrativo enquanto você faz freelance. Não precisa ter vergonha de procurar um emprego de nível médio se você já está formado e não consegue nada na sua área. Nem de fazer vestibular de novo, de fazer pós ou mestrado em algo completamente diferente da primeira aposta, se você percebeu que é algo melhor. E se você estiver lendo isso aos cinquentas anos de idade e pensando: Ah, mas não da mais tempo… lembre-se da minha amiga lá de cima.
Dizer que é melhor ser pobre, mas feliz, sinceramente é uma ilusão. Todos nos precisamos ganhar dinheiro. Mas você também não precisa ser triste em algo que lhe proporciona conforto. Escolha ter os dois. Tenha sempre um plano B.”